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- Escrito por Patrícia Gaspar
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«As mãis de família da fréguezia de Vermoil, concelho de Pombal, quando pretendem casar soas filhas, levão-n'as a tres especies de romarias que os habitantes d'aquelles arredores costumão fazer, e são: Conceição, Espirito Santo, e Bodo de Vermoil.
Perto da tarde mãis e filhas todas vestidas de estamenha e em corpo com chapéu de aba larga na cabeça apparecem no arraial e chegando perto dos rapazes a que já têem deitado o fito chamão-n'os para a venda onde lhes pagam o vinho bebendo elles juntamente com as filhas estas indo já preparadas com 10 réis e um guardanapo lavado comprão tremoços e voltadas para os rapazes e mostra ndo lhes os tremoços dizem Dá a mim dou a li Os Maneis todos tafues com o seu calção de tripe e camisa de linho com coleirinhos de 33 centimetros abrem a jaleca e mostrando ás Zephas o bolso furtado dizem lhes dou a ti tirando ellas os tremoçDs dos bolsos e elles do guardanapo D ahi a pouco ouve se ás vezes na igreja as denunciações d um casamento que não teve outros principios senão esta simples troca de palavras e favores com que reciprocamente se brindaram os dous contrahentes Abençoadas romarias 1 São tão antigas como as povoações e hão de durar em quanto estas existirem.
A de J e Silva Vermoil »
Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1864
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- Escrito por David Mendes
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É provável que o nome Sebastião José de Carvalho e Melo, não signifique nada a grande parte dos leitores deste artigo, mas, se a isto acrescentar que este é o nome do homem que virá a ser o Marquês de Pombal e o Conde de Oeiras, torna-se mais fácil ao leitor descobrir que falo de uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. Nascido em Lisboa a 13 de Maio de 1699, filho de Manuel de Carvalho e Ataíde e de Teresa Luísa de Mendonça e Melo, Sebastião José foi em 1739 nomeado sob a Mercê da protecção do cardeal D. João da Mota, representante de Portugal em Londres e a partir de 1743, enviado extraordinário em Viena; Viúvo desde 1739 de um casamento pouco comum (isto porque raptou uma viúva mais velha que ele dez anos, da casa dos condes de Arcos), volta a casar-se em 1745 com uma jovem filha de um arruinado conde austríaco.
Depois da morte de D. João V, em 1750 entrou no grupo dos novos governantes escolhidos por D. José. Para esta escolha muito contribuiu a rainha-mãe, austríaca de nascimento como o era a esposa de Sebastião José. Secretário de Estado e perante a ineficácia dos seus colegas na governação tornou-se chefe da facção dominante, partidária do reforço do absolutismo, avançando por isso com reformas nesse sentido.
Sebastião José assegurou o seu poder pela energia prática de que deu provas aquando o terramoto de 1755. Em 1758, aproveitou-se um atentado contra D. José, para anular as resistências mais poderosas que se opunham aos seus planos absolutistas: a nobreza. Através da prisão e do suplício (1759) de muitos membros de importantes casas nobres de Aveiro, os Távoras e dos Jesuítas que fez expulsar em Setembro de 1759, e cujos bens foram sequestrados. A expulsão dos Jesuítas implicou, para além das consequências no sector da envagelização e da presença de Portugal no ultramar, um rude golpe no sector educativo do País, ao serem encerrados; uma universidade (Évora), dois institutos universitários (Coimbra e Lisboa) e dezanove colégios que constituíam a quase totalidade da rede de ensino universitário e médio então existente. Em face dessa situação viu-se obrigado a lançar as bases de ensino secundário oficial (1757 e 1761) e do ensino profissional (1759 e 1964), à criação do ensino primário (1772) e à reforma da Universidade de Coimbra (1772). Enquanto procedia ao aniquilamento e à subalternização das forças sociais mais influentes, procurou reforçar o funcionalismo judicial.
O insucesso de todas as companhias monopolistas (com excepção da dos vinhos) que criara e a reacção dos pequenos mercadores trouxe-lhe crescentes problemas financeiros, fiscais e administrativos. Por isso, quando a morte de D. José, a desgraça do Marquês de Pombal era por de mais evidente: em Março 1777, foi aceite o seu pedido de exoneração e uma semana depois refugiou-se em Pombal. A enorme fortuna que acumulou não lhe trouxe qualquer alívio aos anos que lhe restava de vida: com a acusação de um abastado comerciante, o Marquês de Pombal, viu-se no banco dos réus (1779) e condenado (1781) a desterro, como «merecedor de um exemplar castigo».
É inabalável que, ele foi um consignatário do Despotismo iluminado do reino no decorrer do século XVIII, numa época marcada pelo iluminismo, deste modo, exerceu um papel determinante na aproximação de Portugal à realidade económica e social dos países do Norte da Europa. Assim, ele desencadeia com esse desígnio várias reformas administrativas, económicas e sociais, e acabou na prática com os autos de fé em Portugal e com a discriminação dos cristãos-novos, apesar de não ter extinguido oficialmente a Inquisição portuguesa.
Os seus últimos dias de vida foram vividos em Pombal e na Quinta da Gramela, propriedade que herdara de seu tio, o arciprestre Paulo de Carvalho e Ataíde em 1713. É nesta quinta que vem a falecer a 15 de Maio de 1782.

David Miguel dos Santos Mendes
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- Escrito por David Mendes
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A passagem da figura de João de Barros pelo lugar de Vermoil, é um assunto que há muito tempo desperta a afabilidade de curiosos, muitos, tendem mesmo a atribuir a naturalidade do autor Quinhentista a este pequeno lugarejo.
Não existe prova Histórica que ateste a data e o local corpóreo do nascimento de João de Barros, mesmo assim, acredita-se que poderá ter nascido por volta de 1496 em Viseu (local onde residiu o seu pai). Ademais este local, o Cónego Manuel Serafim de Faria, da Sé de Évora, que viveu no século XVII e estabeleceu a biografia de João de Barros, aponta como outros locais possíveis; Braga, Vila Real, ou mesmo Pombal, este último parece-me totalmente céptico, visto que, a Quinta da Ribeira de Alitem é herança da sua futura esposa, D. Maria de Almeida, Filha de Diogo de Almeida de Pombal.
João de Barros descende de um Nobre de sangue; Lopo de Barros, a identidade da sua mãe é ainda hoje oculta, o seu topónimo “Barros”, deriva da região Minhota, onde a família detinha propriedades. O corregedor de Entre-Tejo e Odiana; Lopo de Barros é o responsável pela entrada na corte do seu filho, ele recomenda-o a D. João de Meneses, que apadrinha a sua entrada na corte ao serviço do rei D. Manuel. O monarca, desafia João de Barros a lançar-se nos estudos das Humanidades, ele possuía um excelente domínio da língua Grega e do Latim. O contacto intelectual com os novos mundos, novas gentes e novas culturas humanas, influenciam a sua educação, este é um tempo de profunda influência Ultramarina. A juntar ao desempenho intelectual, João de Barros vai cumprir funções de moço de guarda roupa do príncipe D. João (D. João III), o seu contacto com o futuro monarca vai ser determinante na maturidade da sua carreira, assim porque, depois da subida ao trono de D. João III (1521), João de Barros é nomeado em 1522 para a capitania de S. Jorge da Mina (na costa do ouro), cargo que irá ocupar até 1525.
Já depois de firmado o seu casamento com D. Maria de Almeida, do qual vão nascer Dez filhos, João de Barros vai em 1525 ocupar o cargo de Tesoureiro da Casa da Índia, Mina e Ceuta. Em 1530 regressa a Portugal e vê-se obrigado a procurar refúgio (devido à peste de 1530) na Quinta da Ribeira de Alitem. Neste curto período de Três anos no campo, terá escrito a pedido do seu amigo Duarte de Resende, a obra “Rhopica Pneuma”.
João de Barros foi um homem de inesgotável honestidade, esta sua virtude leva a que D. João III o nomeie Feitor da Casa da Índia, e lhe ofereça como prova de gratidão em 1535 a Capitania Brasileira do Maranhão no âmbito da política de fixação no Brasil. Já depois da associação com Ayres da Cunha e Alvares de Andrade, e com a finalidade de efectivar os direitos de Donatários das Capitanias Brasileiras, parte do Tejo comandada por Ayres da Cunha uma armada de Dez navios que: “Nos recifes à entrada do Amazonas. Uns naufragaram, outros perderam o rumo.” Perdem-se muitas vidas, entre as quais, a de Ayres da Cunha, a sua morte é determinante na falência do projecto. Sem ficar melindrado com a tragédia, João de Barros tenta por sua conta enviar nova expedição em 1536, comandada por dois dos seus filhos; Jeronymo e João, a expedição revelará novas consequências calamitosas.
Estas experiências tornar-se-ão num cataclismo financeiro, mesmo assim, João de Barros nunca se vem a servir dos desastres para obter compensações do monarca, ele prefere indemnizar e atribuir pensões às famílias das vitimas dos “desaparecidos na tormenta”, chega mesmo a hipotecar os seus bens.
Os últimos anos de vida de João de Barros, são com absoluta certeza passados na Quinta da Ribeira de Alitem, depois do pedido de renúncia do cargo de Feitor da Casa da Índia em 1567, empunha uma vida no campo. A sua morte foi causa de uma Apoplexia, depois de ter perdido a fala e estar entrevado nos últimos anos da sua vida. Diz o Couzeiro que no século XVII existia uma ermida: “da invocação de Santo António, a qual mandou fazer João de Barros, que compôs as Décadas; a cuja fábrica obrigou a sua quinta, que está na banda d’além, no bispado de Coimbra; e por falecer nesta quinta foi sepultado na dicta ermida, no ano de 1571.”
Em 1610 por vontade do seu afilhado D. Jorge de Ataíde, Bispo de Viseu, foi trasladado para a igreja Matriz de Alcobaça, era sua vontade erguer um túmulo digno do nome do seu padrinho, esse túmulo nunca foi erguido, e as suas ossadas acabaram por se perder entre outras no anonimato. Tal qual as suas ossadas, também os vestígios da passagem de João de Barros por Vermoil foram ignorados. A sua figura merece pela sua importância um destaque mais relevante, infelizmente esse destaque têm-se vindo a perder no esquecimento e na ignorância.

David Miguel dos Santos Mendes
















