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- Escrito por Carlos José Mendes dos Santos
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1496 – João de Barros nasceu, possivelmente, em Viseu ou em Braga, filho de Lopo de Barros, corregedor da comarca do Alentejo, considerado um nobre da época. Ficou órfão muito novo sendo educado na corte de D. Manuel I, no período dos Descobrimentos Portugueses, tendo ainda, na sua juventude, concedido a ideia de escrever uma história dos portugueses no Oriente. A sua prolífica (produtiva) carreira literária iniciou-se quando tinha pouco mais de 20 anos ao escrever um romance de cavalaria a “Crónica do imperador Clarimundo, donde os reys de Portugal descendem”, dedicado ao soberano e ao príncipe herdeiro D, João (futuro rei D. João III).
1521 – D. João III subiu ao trono e concedeu a João de Barros o cargo de capitão da fortaleza de São Jorge da Mina para onde partiu no ano seguinte.
1525 – João de Barros foi nomeado tesoureiro da casa da Índia, missão que desempenhou até 1528.
1530 – A peste assolou Lisboa levando João de Barros a refugiar-se na sua quinta da ribeira de Alitém, próxima de Pombal, evitando as consequências do terramoto de 1531 que destruiu a capital. Foi neste ambiente calmo, da quinta de Alitém, que continuou a escrever as suas biografias.
1532 – João de Barros regressou a Lisboa sendo designado pelo rei como feitor das casas da Índia e de Mina -uma posição de grande destaque, mas também de importante responsabilidade numa Lisboa que era então um empório a nível europeu com todo o comércio estabelecido com o Oriente. Barros provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, demonstrado pelo facto de ter amealhado pouco dinheiro ao contrário dos seus antecessores que haviam adquirido grandes fortunas com este cargo.
1534 – D. João III, Procurando atrair colonos para se estabelecerem no Brasil, evitando assim as tentativas de penetração francesa, dividiu em capitanias hereditárias. No ano seguinte, Barros foi agradecido com a posse de duas capitanias, de parceria com Aires da Cunha, o Ceará e o Pará.
1539 - Barros prepara uma armada de dez navios e 900 homens e zarpou para novo mundo. Mas, devido talvez à ignorância dos seus pilotos, a frota não atingiu o objectivo pretendido tendo andado à deriva até aportar às Antilhas espanholas. Demonstrando um grande humanismo, pagou as dívidas dos que haviam falecido na expedição, acto nada comum para a época, que levou Barros a criar grandes problemas financeiros com os quais teve de lidar até ao fim da sua vida, vendo-se mesmo obrigado a hipotecar parte dos seus bens.
1540 – Barros pede licença ao Bispo de Coimbra, D. Jorge de Almeida, para levantar o altar na capela se Sto. António na sua quinta. Durante estes anos Barros prosseguiu os seus estudos, nas horas vagas, e pouco depois da desastrosa expedição ao Brasil, publicou a Gramática da Língua Portuguesa e, a acompanhá-la, diversos diálogos morais, para ajudar ao ensino da Língua materna. Pouco depois iniciou a escrita de uma História que narrasse os feitos dos portugueses na Índia – as Décadas da Ásia. A Quarta Década foi deixada inacabada, sendo depois completa e publicada em Madrid, em 1615, muito depois da sua morte.
1568 – No mês de Janeiro deste ano, João de Barros sofreu de um acidente vascular cerebral sendo, por isso dispensado das suas funções na casa da Índia, recebendo um título de fidalguia e uma tença régia do rei D. Sebastião.
1570 – A 20 de Outubro deste ano João de Barros faleceu na sua quinta de Alitém, em Pombal.
Foi sepultado na capela de Sto. António, situada na quinta dos Claros, na ribeira de Alitém pertencente à freguesia de Vermoil, conselho de Pombal, onde também se encontra a casa que se diz lhe pertencer onde ele terá passado parte da sua vida.
Carlos José Mendes dos Santos (Secretário da J.F.V.)
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- Escrito por David Mendes
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Quando falamos da Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, não falamos de um dia ou de uma acção isolada. A Revolução que teve lugar nesta data, é consequência de um conjunto de acções que visaram o derrube do regime político que vigorava em Portugal desde 1926. Esta Revolução tem um carácter demasiado complexo para ser debatido neste artigo, por isso, torna-se essencial fazer uma pequena selecção dos acontecimentos e narrar apenas os três pontos que a mim me parecem fundamentais.
Como primeiro ponto, é importante antes de falar em Revolução, especificar que o Estado Novo ou a II República, foi o nome do regime político autoritário e corporativista que durante quarenta e um anos actuou em Portugal. Este regime, surge devido à necessidade de controlar a enorme incapacidade dos altos dirigentes militares em resolver a crise económica e a agitação política da I República. O Doutor António de Oliveira Salazar, inicialmente chamado para assumir a pasta das Finanças, cumpre as exigências impondo uma forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um saldo positivo nas finanças públicas logo no seu primeiro exercício económico (1928-29). Deste modo, em 1932 ascende ao cargo de Presidente do Conselho de Ministros, onde se mantém em funções até 1968, quando é substituído devido a doença por Marcello Caetano.
É muito usual comparar o Estado Novo ao regime Fascista Italiano ou ao Nacional Socialismo de Hitler na Alemanha, um grande erro, isto porque, o Estado Novo caracteriza-se por ser um regime autoritário, corporativo de inspiração integralista. Este apoiava-se na censura, na propaganda, nas organizações juvenis (Mocidade Portuguesa), nas organizações paramilitares (Legião Portuguesa), no culto do chefe e na ideologia católica.
O segundo ponto, é a preparação do levantamento militar de Abril. São três as reuniões clandestinas; a primeira em Bissau a 21 de Agosto de 1973, a segunda que dá origem ao Movimento das Forças Armadas, no Monte Sobral (Alcáçovas) a 9 de Setembro de 1973 e por fim, uma última a 24 de Março onde se decide o caminho da Revolução. É nestes encontros que o movimento delineia a estratégia de actuação? Num ponto de vista pessoal parece-me quase impossível que estas reuniões sejam o cérebro da Revolução, visto que, nestes encontros ainda não se sabia qual a receptividade dos soldados ao golpe militar. Todavia, era necessário conhecer-se os nomes dos oficiais dispostos a avançar, e criar as estruturas básicas da revolução e uma provável fuga se necessária fosse.
O terceiro e ultimo ponto e para mim o mais significativo no que toca à Revolução propriamente dita, são os acontecimentos revolucionários que se iniciam ainda no dia 24 de Abril, quando um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho, instala o comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa. Ligado a esta fase inicial da Revolução, vão ficar para sempre as canções “E se depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho e “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, que serviram como senha para o inicio das movimentações.
Entre as muitas forças e figuras associadas a este levantamento militar, coube o papel mais significativo à Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia. Numa primeira fase, esta força ocupou o terreiro do Paço, seguindo depois para o Quartel do Carmo, onde se encontrava o Chefe do Governo Marcello Caetano, que se rendeu ao final do dia depois de ter entregue o poder ao General Spínola que não pertencia ao MFA.
Portugal é um país que possuí uma grande tradição de Revoluções pacíficas, isto acontece pelo facto de a Revolução surgir sempre num momento de crise, em que o poder se encontra com grande fragilidade. O Golpe de Estado de Abril, não é excepção disso, e a grande deterioração do poder, pode explicar como pode um Movimento tão incipiente derrubar um regime de Quarenta e Um anos em apenas um dia. Mas nem sempre o conceito “pacífico” é um aspecto positivo, daí podermos considerar que revolução e passividade são dois conceitos inimigos. A passividade do movimento pode explicar o motivo pelo qual, as suas figuras mais relevantes tenham passado a ser vistas como marginais, e durante o PREC e na História de Portugal, foram mesmo substituídas por outras, que de certo modo, não tem qualquer interferência no Movimento. Falo de, Mário Soares ou Álvaro Cunhal, o primeiro que vence as primeiras eleições livres de 25 de Abril de 1975, derrotando Álvaro Cunhal um homem de claras influências marxistasleninistas, um regime implementado na União Soviética por Josef Stalin, que tem muitos seguidores pelo mundo, e foi responsável só na URSS pela morte de aproximadamente trinta e cinco milhões de Soviéticos.

David Miguel dos Santos Mendes
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- Escrito por David Mendes
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A “Igreja Velha” é a ermida mais antiga da nossa freguesia, da qual, desconhecemos a data exacta de construção, e quem a mandou erguer. Todavia, manuscritos antigos aludem a uma ermida que “estando muito arruinada, reedificou-se, terminando as obras em 1656.”
Não é certo que exista relação entre a actual ermida e a ermida reedificada em 1656. No meu estudo apenas consegui encontrar dois pontos que apontam para uma possível relação; arquitectonicamente, a porta lateral golpeada de tipo manuelino, é um estilo da época, e o estudo das certidões de óbito, que em meados do século XVII confirmam enterramentos dentro da igreja, este facto confirma-se com o recente trabalho de campo aquando as obras de restauro que confirmaram espólio de enterramentos. De qualquer das formas o meu estudo não é profundo e as fontes que me baseio não suficientemente seguras para afirmar que a actual igreja, seja a de Santa Maria de Vermoil primitiva.
A ermida possui uma fachada que não tem qualquer apuro arquitectónico, formada por uma empena recortada, coroada por pirâmides ornamentais, um janelão banal de coro e uma torre lateral que possui dois sinos, um do senhor e outro das almas. Na fachada há a destacar a interessante imagem antiga de pedra, que se encontra numa mísula sobre um registo de azulejos modernos.
A igreja possui apenas uma nave coberta com um tecto de estuque, formado por quarenta e quatro caixotões com alusões à ladaínha de Nossa Senhora. A capela-mor divide-se em duas partes; a do evangelho onde está a imagem da imaculada Senhora e a da epistola onde se encontra a imagem de Santo António. Junto da imagem de Santo António fica o altar de onde se levanta uma tribuna de talha dourada muito bem feita, com um trono muito bem pintado para a exposição do santíssimo sacramento. Entre o trono e o altar-mor está o sacrário feito de talha dourada. Abaixo da capela-mor estão dois altares laterais, um afectuoso ao menino Jesus e outro a S. Sebastião.
Desconheço o espólio da ermida e a política de conservação empreendida nele, todavia, há uma peça muito importante: “um prato de oferta Holandês, de tipo habitual, com o diâmetro de 0,38 metros”, que provavelmente caiu no insignificante. 
David Miguel dos Santos Mendes
















