Freguesia de Vermoil

Como em tudo há o início. Esta é uma afirmação simples, mas simples são apenas as palavras ou aquilo que delas interpretamos. Tal como hoje inicio o desafio de desdobrar a História, igualmente Vermoil teve um início. A descodificação das origens de Vermoil é um problema muito difícil de resolver, a escassez de matéria de estudo é gigantesca, mesmo assim a História é uma ciência que trabalha com tentativas o que permite sempre solucionar e teorizar.

Um trabalho de campo realizado no local da Telhada, na zona da Calvaria, permitiu pôr a descoberto e observar, vestígios arqueológicos datados dos finais do século I. Será que esta descoberta põe em aberto a possibilidade de Vermoil ter origem Clássica? Não parece racional no ponto de vista historiográfico afirmar ou mesmo relacionar a comunidade do século I com a posterior população que vem formar Vermoil, assim porque a queda do Império Romano do Ocidente terá ocorrido após 476, e em 711 já há presença Muçulmana no Mediterrâneo, tendo à data de 1035 o território onde hoje se fixa a povoação de Vermoil, ser pertença da Taifa de Badajoz de Banu al-Aftas, que alojaria uma maioria Moçárabe, portanto a agregação Romana terá sido um caso isolado nesta área, pelas suas reduzidas dimensões, que perdurou apenas aquando a ocupação Romana na Península Ibérica e teria nesta área funções de abastecimento ou mesmo comerciais com a via Romana que ligava Lisboa a Braga, que possivelmente passaria muito próximo.

Existem duas possibilidades lógicas distintas no tempo para explicar a origem de Vermoil, a primeira numa fase corrente da idade Média, onde decorre a conquista e a consolidação do território face a uma ocupação Muçulmana e outra numa fase terminal da idade Média princípios de idade Moderna, onde uma possível emigração regional por parte de populações que procuram melhores terrenos agrícolas e uma maior proximidade com o oceano levam à ocupação da área circundante a Vermoil e a posterior formação da aldeia.

Na primeira via anteriormente descrita; Afonso Henriques após a batalha de S. Mamede e o triunfo de Ourique 1139, que se desconhece o local da batalha, consegue elevar o seu condado a reino independente em 1179, com forte espírito de cruzada e ambição por novos territórios, investe com os seus exércitos em terras de além Tejo, por este relato da História sabemos, que já antes de 1139 e de Afonso Henriques fundar o seu reino, o local onde se situa Vermoil está livre da ocupação Muçulmana, e sabe-se que nas proximidades já foram construídos os castelos de Pombal e Soure (1136 a 1142), como forma de defender o acesso a Coimbra pelo sul e aproveitar os campos agrícolas, a zona circundante entre Pombal e Soure é doada aos Templários (1129 ou 1130) e o foral de Abiúl e Pombal é concedido entre (1169 e 1210). Certo é, que no decorrer destas datas não há qualquer referência à existência ou formação de uma comunidade no local onde se virá a formar Vermoil, mesmo que a zona do baixo Mondego, cidade de Coimbra e áreas envolventes; Condeixa, Montomor-o-velho e Pombal, serem áreas onde abundam vestígios Muçulmanos, em Vermoil até à data corrente não existe a ocorrência de qualquer achado, nem mesmo existe qualquer prova da existência de agricultura ou povoação numa fase anterior ao século XII, sabe-se porém que a zona a sul de Soure até Leiria caracterizava-se por ser pantanosa e nela predominar uma densa floresta e é assim certamente que se manterá até os princípios da idade Moderna.

Seria demasiado ilegítimo autenticar no tempo e no espaço o aparecimento da primeira comunidade, da qual vem a descender Vermoil, todavia, “O Couseiro” afirma que: “No ano de 1465 foi aprovado o compromisso da confraria d’Alcamen e fundado um pequeno hospício do qual despendia o albergue (de Albergaria dos Doze) e o cemitério murado, um pouco abaixo da casa do cura”. Situando no tempo, este compromisso é celebrado em pleno reinado de D. João II, depois da construção da Igreja de Santa Maria (séc. XIV), no espaço podemos delimitar uma área imaginária desde a nossa apelidada; “Igreja Velha” (zona onde provavelmente residiria o cura/pároco da aldeia), e a zona da Gafaria (local onde foi fundado o hospício).

Até à actualidade não foram encontradas quaisquer ruínas do hospício, por esse motivo, é muito difícil indicar o local desta estrutura, certo é, que hospício foi lentamente transformado num hospital que foi entregue à orientação e cuidado dos beneditinos provenientes do Mosteiro de Angra da Portela do termo de Vermoim (actual concelho da Maia-Douro). A acção dos beneméritos frades da ordem se São Bento foi tão evidente na região que a população decidiu eleger a designação dessa origem conventual mãe, para apelar o lugar de “Alcamem dos vermoim”, mais tarde “Freguesia de Vermoil”.

Analisando atenciosamente o período histórico em que decorrem estes acontecimentos, poderá interpretar-se que existe uma possível relação entre o afluxo populacional que vem a habitar Vermoil e o pensamento ligado à Expansão Marítima que se vem desenvolvendo desde o reinado de D. Dinis, mais concretamente no dia 1 de Fevereiro de 1317, dia em que, Manuel Pessanha de Génova e o Monarca D. Dinis assinaram o contrato para reorganizar a armada Portuguesa.

Para justificar a relação destes dois factos, recorro ao auxílio da Geografia. A relativa proximidade com o pinhal de Leiria (cuja madeira se destinou à construção das Naus e Caravelas dos Descobrimentos Portugueses), e a relativa proximidade com o despovoado porto da Vila de Paredes da Vitória (final do século XV), que a sua população vem à priori povoar o local da Pederneira, e nos séculos XV e XVI, formam um dos mais activos estaleiros navais do reino, onde foram construídas grande parte das Naus e Caravelas envolvidas nos Descobrimentos (porto por onde eram também escoadas as mercadorias e as madeiras do Pinhal do Rei, para a capital e além-mar), pode ter influenciado no aumento demográfico da região.

Se observarmos as características Económicas da região até 1960-70, concluímos que a base de subsistência está ligada à terra, pela agricultura de auto­consumo, e exploração de madeira, este sistema Económico é certamente descendência da Época Moderna.

A maior dificuldade da Idade Moderna é sobretudo a falta de vias de comunicação. Para construir uma embarcação, era necessário organizar uma estrutura lógica; plantar pinhal, vigiar o pinheiro (para preservar toda a qualidade necessária), cortar o pinheiro, executar o transporte da madeira até aos estaleiros e por fim construir a embarcação. Esta série de acontecimentos era demorosa e só funcionaria com o sucesso desejado, se

o conjunto de indivíduos envolvidos cumprisse a sua tarefa com o rigor necessário. Esta estrutura necessita de abundância de mão-de-obra capaz de executar trabalhos pesados.

Segundo o cura Agostinho Coelho (1758), em Vermoil: “Não ha noticia nem memoria que desta terra sahissem nem florecessem homens alguns insignes por virtudes, letras ou armas”, é portanto racional dizer-se que o maior afluxo de população da aldeia de Vermoil seja resultado da necessidade do reforço (talvez com população proveniente da região interior do país), de mão-de-obra pesada. Forma-se assim uma comunidade que trabalha e subsiste na base da produção da matéria-prima fundamental da época, a madeira.

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David Miguel dos Santos Mendes

Breve historial

eb1 brasaodafreguesiaPesquisámos a nossa freguesia e o seu significado. É uma freguesia do Concelho de Pombal, Distrito de Leiria.

A sua área geográfica tem uma extensão é de 21,1 km2

O Orago é de Nossa Senhora da Conceição, padroeira desta paróquia.

Está situada na margem esquerda do Arunca e a nove quilómetros da sede do concelho.

O seu repovoamento data o século XII.

Em tempos possuiu indústrias, resinosas e de cerâmica, tendo-se ao longo dos tempos diversificado noutras áreas. Houve uma grande incrementação do comércio e serviços. A igreja que conhecemos hoje como Igreja Velha foi reedificada no século XVII, havendo indícios históricos que tenha sido iniciada no Século XII. Na zona da Gafaria existiu um hospital - o “Hospital das Gafas”.

logo vermoilA capela de Santo António, foi mandada edificar por João de Barros (Historiador do século XVI), autor das Décadas da Índia, acolheu os restos mortais do seu fundador até uma transladação para a igreja de Alcobaça.

Esta freguesia deu origem a duas novas freguesias: a de Carnide (1952) e a das Meirinhas (1982).

 

Ordenação heráldica do brasão

Armas e Brasão - Escudo de prata, asna de negro, fretada de prata, entre uma rosa heráldica de azul, botoada de ouro e apontada de verde uma lira de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas: “Vermoil - Pombal”.

Bandeira - de vermelho. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.

 

Simbologia do Brasão

As 3 torres simbolizam a freguesia.

A rosa azul representa a Nossa Senhora Padroeira. A asna fretada simboliza as atividades de tecelagem, cestaria, madeira, etc. A lira vermelha é um símbolo de homenagem às atividades musicais.

 

Alunos do 3º e 4º anos

O rio Arunca que nasce na freguesia de Albergaria dos Doze junto ao túnel do caminho-de-ferro, passando pelas freguesias de Santiago de Litém, S. Simão de Litém, Vermoil, Pombal e Almagreira no concelho de Pombal, prossegue a sua caminhada para o mar passando pelo concelho de Soure indo desaguar no Mondego, junto a Alfarelos.

Na freguesia de Vermoil existe ainda um afluente deste, o rio Cabrunca ou Ribeira da Venda Nova, que nascendo em Lagares já no concelho de Leiria, percorre as ribeiras da Igreja Velha, Meirinhas e Venda Nova, indo juntar-se ao rio Arunca no sítio chamado Juntar dos Rios, na zona da Chieira.

Formam estes dois rios no concelho de Pombal uma bacia hidrográfica com solos de primeira qualidade para a agricultura. No entanto, é uma zona de pequena propriedade em que os solos estão muito divididos, dificultando a sua maquinização com proveito para os proprietários pelo que estes estão abandonando os campos, encontrando-se cerca de dois terços dos terrenos a criar matos e silvas.

Outrora, havia uma rede hidráulica com açudes nos dois rios que alimentavam os vários moinhos (azenhas) de moer cereais e lagares de azeite existentes na região e ainda regava grande parte dos terrenos.

Atualmente, alguns pequenos agricultores ainda resistem com as culturas antigas, mas a luta vai ser perdida. Há ainda alguns jovens agricultores que alugando terras aqui ou acolá vão singrando com a mecanização dos terrenos e outros com a introdução de novas formas de cultivo, como são as estufas de produtos hortícolas. Todas estas terras eram regadas de pé, numa grande parte da sua extensão, sendo a restante regada a cabaço ou a balanço, pois havia água pelas valas que compunham a rede hidráulica que chegava a alimentar lagares junto a Pombal.

Os açudes que existiam na freguesia de Vermoil eram o açude da Quinta de S. Lourenço, o açude da Calçada, o açude do Lourenço e o açude das Ínsuas junto ao lugar de Moinho da Mata no rio Arunca.

O açude da Mata do Casal Galego que regava as terras dos Gameiros e Pedrosas na zona do

Sanguinhal, o açude da Fontaínha que regava as terras da família Lopes e dos Silvas no sítio da

Fontaínha, o açude do Criveiro que alimentava o lugar do Caranguejo, Lagar do Brando, indo até ao lagar do Monteiro já na freguesia de Pombal, havendo ainda o açude da Pateira, estes na Ribeira da Venda Nova.

Todos estes açudes deixaram de existir exceto o açude da Quinta de S. Lourenço, recentemente reconstruído e renovada a respetiva rede de rega por uma comissão de regantes com apoio da

Câmara, Hidráulica e outras entidades. Como já se disse parte destes terrenos estão incultos. Uma zona de grandes milharais de regadio está em sequeiro, mas no rio passam muitos milhões de metros cúbicos de água durante o ano que outrora alimentavam vários moinhos (azenhas) e lagares de azeite e ainda regavam grande parte destes terrenos.

Só na freguesia de Vermoil funcionavam o moinho da família Borges e família dos Antonões na

Quinta dos Claros; o moinho dos Piscos na zona de Entre Vinhas, o moinho da família Fonseca e o da família Morais junto ao açude da Calçada; o moinho da família Avelinos e lagar de azeite da Barreira, o lagar dos Mendes da Confraria e moinho do Serafim do Pinhete ainda junto ao lugar do Moinho da Mata; o moinho dos Sousas e o moinho do Branco do Pisão junto à Ínsua do Juntar dos Rios no sítio da Chieira.

O moinho da família Lourenço e o lagar das Valadas estão situados na zona do Pisão. Há ainda o lagar de azeite e a moagem do senhor Manuel da Silva Branco no lugar de Pinhete, junto à Estação de Vermoil, atualmente na posse da família Carvalho, estes na freguesia de Santiago de Litém. A moagem atualmente na posse da família Carvalho é a única a funcionar nesta região.

Na várzea da Ribeira da Venda Nova existem ainda o lagar das Meirinhas de Baixo, transformado em museu etnográfico, o lagar do Caranguejo e do Branco junto ao lugar da Venda Nova.

Todas estas relíquias do passado à exceção do moinho da família do senhor Manuel Francisco

Barreira no lugar do Moinho da Mata que foi recentemente remodelado, do lagar das Meirinhas de Baixo que foi recentemente transformado em Museu Etnográfico e da moagem do senhor Carvalho no lugar de Pinhete que continua a funcionar, estão em ruínas e alguns já desapareceram.

Havia também os moinhos de vento dos quais ainda existem restos de alguns como o moinho de Trás do Monte na Chã de Baixo (na foto), o moinho de vento no lugar do Abrolho e o moinho de vento no Outeiro da Ranha, no lugar do Sobral, este já desaparecido.

Numa época em que tanto se fala em conservar o património cultural é com tristeza que se vêem desaparecer tantos restos de cultura dum povo que trabalhando arduamente as suas courelas, tinha ainda localmente os meios para a transformação dos produtos do seu trabalho para a sua própria alimentação.

Laureano da Silva

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