Demokratía. Uma Utopia infindável
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- Publicado em 21 março 2013
- Escrito por David Mendes
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Quando falamos da Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, não falamos de um dia ou de uma acção isolada. A Revolução que teve lugar nesta data, é consequência de um conjunto de acções que visaram o derrube do regime político que vigorava em Portugal desde 1926. Esta Revolução tem um carácter demasiado complexo para ser debatido neste artigo, por isso, torna-se essencial fazer uma pequena selecção dos acontecimentos e narrar apenas os três pontos que a mim me parecem fundamentais.
Como primeiro ponto, é importante antes de falar em Revolução, especificar que o Estado Novo ou a II República, foi o nome do regime político autoritário e corporativista que durante quarenta e um anos actuou em Portugal. Este regime, surge devido à necessidade de controlar a enorme incapacidade dos altos dirigentes militares em resolver a crise económica e a agitação política da I República. O Doutor António de Oliveira Salazar, inicialmente chamado para assumir a pasta das Finanças, cumpre as exigências impondo uma forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um saldo positivo nas finanças públicas logo no seu primeiro exercício económico (1928-29). Deste modo, em 1932 ascende ao cargo de Presidente do Conselho de Ministros, onde se mantém em funções até 1968, quando é substituído devido a doença por Marcello Caetano.
É muito usual comparar o Estado Novo ao regime Fascista Italiano ou ao Nacional Socialismo de Hitler na Alemanha, um grande erro, isto porque, o Estado Novo caracteriza-se por ser um regime autoritário, corporativo de inspiração integralista. Este apoiava-se na censura, na propaganda, nas organizações juvenis (Mocidade Portuguesa), nas organizações paramilitares (Legião Portuguesa), no culto do chefe e na ideologia católica.
O segundo ponto, é a preparação do levantamento militar de Abril. São três as reuniões clandestinas; a primeira em Bissau a 21 de Agosto de 1973, a segunda que dá origem ao Movimento das Forças Armadas, no Monte Sobral (Alcáçovas) a 9 de Setembro de 1973 e por fim, uma última a 24 de Março onde se decide o caminho da Revolução. É nestes encontros que o movimento delineia a estratégia de actuação? Num ponto de vista pessoal parece-me quase impossível que estas reuniões sejam o cérebro da Revolução, visto que, nestes encontros ainda não se sabia qual a receptividade dos soldados ao golpe militar. Todavia, era necessário conhecer-se os nomes dos oficiais dispostos a avançar, e criar as estruturas básicas da revolução e uma provável fuga se necessária fosse.
O terceiro e ultimo ponto e para mim o mais significativo no que toca à Revolução propriamente dita, são os acontecimentos revolucionários que se iniciam ainda no dia 24 de Abril, quando um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho, instala o comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa. Ligado a esta fase inicial da Revolução, vão ficar para sempre as canções “E se depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho e “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, que serviram como senha para o inicio das movimentações.
Entre as muitas forças e figuras associadas a este levantamento militar, coube o papel mais significativo à Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia. Numa primeira fase, esta força ocupou o terreiro do Paço, seguindo depois para o Quartel do Carmo, onde se encontrava o Chefe do Governo Marcello Caetano, que se rendeu ao final do dia depois de ter entregue o poder ao General Spínola que não pertencia ao MFA.
Portugal é um país que possuí uma grande tradição de Revoluções pacíficas, isto acontece pelo facto de a Revolução surgir sempre num momento de crise, em que o poder se encontra com grande fragilidade. O Golpe de Estado de Abril, não é excepção disso, e a grande deterioração do poder, pode explicar como pode um Movimento tão incipiente derrubar um regime de Quarenta e Um anos em apenas um dia. Mas nem sempre o conceito “pacífico” é um aspecto positivo, daí podermos considerar que revolução e passividade são dois conceitos inimigos. A passividade do movimento pode explicar o motivo pelo qual, as suas figuras mais relevantes tenham passado a ser vistas como marginais, e durante o PREC e na História de Portugal, foram mesmo substituídas por outras, que de certo modo, não tem qualquer interferência no Movimento. Falo de, Mário Soares ou Álvaro Cunhal, o primeiro que vence as primeiras eleições livres de 25 de Abril de 1975, derrotando Álvaro Cunhal um homem de claras influências marxistasleninistas, um regime implementado na União Soviética por Josef Stalin, que tem muitos seguidores pelo mundo, e foi responsável só na URSS pela morte de aproximadamente trinta e cinco milhões de Soviéticos.

David Miguel dos Santos Mendes

















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